terça-feira, 21 de outubro de 2014

RESILIÊNCIA




O conceito de resiliência vem da física e prende-se com a propriedade de elasticidade e maleabilidade dos materiais, que lhes permite readquirir a sua forma inicial depois de terem sofrido uma enorme pressão.

Este conceito tem vindo a ser estudado nos seres humanos no que respeita à nossa capacidade de lidar com as adversidades.

Em síntese, a resiliência de um indivíduo é a sua capacidade de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas (choque ou stress), sem entrar em surto psicológico, através de flexibilidade mental, emocional e comportamental.

Mas, por muito resilientes que sejam, quanto mais expostas, mais inseguras, desconfiadas e desprotegidas se sentem nas relações vinculativas que estabelecem. Consoante o nível de tempo de exposição, mais difícil será reparar as consequências.

Contudo, nas famílias, em situações difíceis, e até mesmo em casos extremos de violência física e psicológica, é possível às crianças ultrapassar momentos dolorosos, e é possível chegar-se à idade adulta com um equilíbrio mental razoável.



Sofia Almeida

domingo, 28 de setembro de 2014

EXPECTATIVA DO FILHO IDEAL





Devemos aprender a amar os nossos filhos pelo que são e não pelo que idealizamos deles

Todos sabemos que há pais mais absorventes do que outros. Algumas mães poderão até fantasiar uma relação fusional com as suas crianças ao longo das suas vidas; mas, com maior ou menor dificuldade, tomam consciência da necessidade de autonomia e liberdade destas, bem como, do papel fundamental que desempenham neste crescimento e individualização da criança.

Quando os pais são demasiado invasivos, pelo autoritarismo, por exemplo, a afirmação da criança, depende da sua resiliência, ou seja, a sua maleabilidade e capacidade de gerir e lidar com os problemas e de ultrapassar os obstáculos.

Mesmo condicionadas pelas expectativas que os seus pais depositam em si, as crianças têm uma imensa criatividade em aproveitar os seus recursos internos para gerir, e, muitas vezes, ultrapassar, divergências que respeitam às suas opções de vida futuras.

Muitos pais, na interação com os filhos, passam padrões de conquista elevadíssimos, em detrimento da troca de afetos. Impõem modelos de sucesso, com os quais, os filhos nada se identificam.

A procura da identidade própria fica nestes casos dificultada pela ambivalência entre o querer ser e o reconhecimento parental.

A qualidade de uma relação afetiva entre pais e filhos mede-se pela proximidade, cumplicidade e aceitação da sua genuinidade.


Sofia Almeida

PAI PRESENTE




O pai, presente ou ausente, marca definitivamente o percurso de vida dos seus filhos

Nos primeiros meses de vida, o bebé vivencia uma primeira fase de grande fusão com a sua mãe. Mas, gradualmente, o bebé vai percebendo que a sua mãe não está sempre presente e disponível quando dela necessita, sentindo com esta separação que pode ser amado ou rejeitado.

Pela sua presença, o pai, com maior ou menor consciência, próximo ou distante, triangula esta relação, permitindo ao bebé entender que não é o único elemento da vida da sua mãe e terá que a partilhar consigo.

O pai facilita-lhe uma nova aprendizagem de autonomia e identidade própria. Incita a criança a explorar o mundo exterior e enfrentar os primeiros desafios. Ensina-a a lidar com as frustrações, de forma a sair da ilusão da sua omnipotência, potenciando gradualmente a sua vida afetiva.

Desde o primeiro instante, a interação do pai para com um filho é diferente da interação para com uma filha, transmitindo-se uma identidade sexuada até ainda antes do parto. Por outro lado, a criança vai observando diferenças entre o pai e a mãe, que têm comportamentos e valores distintos. As suas interações vão, portanto, sendo modeladas por estas diferenças a ponto dos meninos se querem identificar com os progenitores masculinos e as meninas com as progenitoras femininas.

À medida que cresce, a criança sente necessidade de garantir o afeto e o reconhecimento do pai e da mãe e depressa percebe que para tal terá que conciliar os seus desejos e comportamentos às expectativas de ambos, reforçando a sua autoestima e autoconfiança.

Idealmente, ser pai, é sinónimo de proteção, educação, cumplicidade, afetividade. Mas quando o pai está pouco presente na vida da criança, dificulta não só essa aprovação, como dificulta a identificação da criança, que, muitas vezes, procura eleger outro adulto que funcione como modelo parental identificatório.

Mas a proximidade e a distância afetiva nada têm obrigatoriamente a ver com a proximidade e a distância físicas. Não basta que o pai esteja fisicamente presente, se não existe na cabeça e no coração do filho. Na verdade, mesmo distante geograficamente, o pai deverá ser uma referência de amor e de apoio incondicionais.

Noutros casos, o pai, mesmo presente, pode ser quem menos os compreende e aceita como são. Em casos mais graves de negligência ou maus tratos, mais tarde, em adultos, sobrevivem a momentos irreversíveis  de mágoas intransponíveis.

Mas, nem todas as crianças afetam o seu equilíbrio psicológico pela ausência do pai. Cada criança tem a sua forma própria de lidar com esta figura de acordo com as suas próprias especificidades e capacidade de resiliência. Mesmo na sua ausência, é preciso que a criança construa um lugar simbólico da sua existência de forma a interiorizar e valorizar a existência do pai, contribuindo para a sua autoimagem, sensação de segurança, e para o estabelecimento de relações afetivas futuras.

                          

As crianças precisam de um pai que as aceite como são, interaja e incite à exploração das suas capacidades


Sofia Almeida

sábado, 28 de junho de 2014

FAMÍLIAS RECONSTRUIDAS



Segundo o Editorial do Courrier Internacional de janeiro último: “Nos últimos 50 anos, o número de casamentos em Portugal caiu para metade (34 mil) e quase foi apanhado pelo dos divórcios (25 mil, que já foram mais: 27,5 mil em 2010). O número de filhos por casal (1,03) não para de descer e, curiosamente, está abaixo do verificado na China, onde vigora uma política de incentivo ao filho único. As uniões informais entre adultos dispararam, os casais homossexuais aumentaram e o número de crianças que crescem nestas novas famílias ganha dimensão.”

Segundo o mesmo autor, João Garcia: “Voltemos ao nosso pequeno Portugal: há poucos anos nasciam mais de 100 mil crianças por ano, em 2012 passaram a ser pouco mais de 90 mil, este ano já se admite que fiquem aquém dos 80 mil. Não nascem nem se licenciam: de ano para ano cai o número de jovens que procuram o Ensino Superior.”

Sociedade e família sempre em constante mutação, condicionam-se e complementam-se no sentido de se adaptarem aos novos estilos de vida. Parece-me um processo previsível e perfeitamente natural, verificável ao longo da existência da humanidade. A necessidade de nos adaptarmos às circunstâncias, satisfazendo as necessidades consideradas mais básicas, mas procurando ativamente o melhor bem-estar possível para nós e para os nossos.

Questões muitíssimo atuais no nosso país como a emigração e/ou migração levantam questões de educação parental que obrigam a reformulações nas dinâmicas familiares, com claras transferências de competências parentais para os avós ou outros significativos;

A questão do desemprego dos pais e dos filhos, sem significativas perspetivas de construção de projetos futuros ou simplesmente de subsistência das suas famílias, parece-me uma questão igualmente determinante nesta problemática.

A mudança de representação social das famílias, nomeadamente nas sociedades ocidentais, obriga à produção de diferentes tipos de legislação, adequada o mais possível aos ensejos manifestados pelas respetivas sociedades: surgem novas formas de adoção e de procriação, ainda recentemente impensáveis, pelo menos naqueles países de mentalidade mais oprimida.

A mudança de paradigma do papel da mulher na sociedade atual tem também um grande peso na reconstrução das famílias. As suas carreiras profissionais, a sua crescente autonomia financeira, a crescente capacidade de criação e inovação, trouxeram-lhe um reforço imparável na sua autoestima, não deixando nada para provar a ninguém.

Também no que respeita à religião, somos hoje testemunhas de um salto gigante no paradigma da Igreja Cristã. Aproximamo-nos, finalmente, em minha modesta opinião, dos ideais de Cristo, que se resumem no amor universal e incondicional, traduzido nas coisas mais simples de que já nos esquecemos, por nos deixarmos com alguma frequência absorver pelos valores sociais atuais.

Parece-me que estamos agora mais do que nunca, conscientes que o que conta realmente, são as relações humanas. Deitaram-se a baixo preconceitos morais e religiosos que em nada dignificavam o valor do ser humano. Cada um de nós, a seu ritmo, vai percebendo a preciosidade, mas também a fragilidade do dom da vida, e com maior ou menor autodeterminação, vai-se centrando na busca do que verdadeiramente a vida nos dá em bem-estar e tranquilidade.


Sofia Almeida

LIDERANÇA




Partindo da velha máxima que todos juntos somos mais fortes, uma boa estratégia de liderança parental, melhora naturalmente o processo de desenvolvimento individual de cada um dos elementos do agregado familiar, bem como a dinâmica familiar como um todo, que não se resume apenas à soma das suas partes.

As noções de liderança que agora partilho referem-se em primeira instância ao mundo empresarial, mas não posso deixar de as transpor para a realidade das dinâmicas familiares que conheço atualmente.

O simbolismo inspirador de um líder e a representação mental que os seus seguidores têm de si, são competências chave no processo de liderança de qualquer grupo, mesmo o da família.

Se não, vejamos as principais características de um líder e comparemo-las às competências parentais, no processo contínuo de educação dos nossos filhos:

Ø  Carisma: O carisma é algo intrínseco à personalidade de cada um, mas também pode ser uma competência a ser treinada e desenvolvida. Um líder carismático tem visão e um forte sentido de missão, o que gera respeito, confiança e lealdade dos membros do seu grupo. Inspira-lhes uma identificação natural, orgulho e entusiasmo no que lhes é proposto;
Ø  Inspiração: Utilizando uma comunicação clara, fluida e entusiasta, o líder demonstra capacidade de motivar e implicar todos os elementos do grupo em torno do mesmo objetivo;
Ø  Estímulos: Para além do simbolismo do líder e a sua capacidade de trabalhar as emoções dos elementos do seu grupo, igualmente importante neste processo de liderança é o estímulo ao nível cognitivo, traduzido no desenvolvimento da capacidade dos seus elementos de procederem a análises críticas, no seu pensamento criativo e na intuição.
Ø  Reforço individual: Demonstrar consideração por cada um dos seus elementos de forma particular e genuína, permite criar um ambiente de confiança e valorização pessoal;

Nos anos 60 as mulheres que ocupavam cargos de liderança e de chefia tendiam a adotar técnicas de gestão em conformidade com os valores masculinos, sobretudo porque as organizações eram predominantemente masculinas.

Atualmente, é cada vez maior o número de mulheres em cargos de liderança com estilos marcadamente femininos, notórios nas suas capacidades de delegação de responsabilidades, na partilha de informação e de recursos e na definição coletiva de objetivos:

ü  Liderança democrática: As mulheres revelam grandes capacidades para organizar o trabalho em equipa de forma democrática, participativa e cooperativa;
ü  Flexibilidade: Apresentam tendência para a partilha de responsabilidades e uma grande capacidade de comunicação e consenso, orientada para a negociação, gestão de conflitos e resolução de problemas através da empatia e da racionalidade;
ü  Liderança inclusiva: Os atributos da generosidade e da harmonia contribuem para uma liderança inclusiva e menos centrada na figura do líder;
ü  Liderança relacional: A liderança feminina é orientada para a gestão das pessoas, das suas relações;
ü  Gerar confiança: Gerindo as expectativas e necessidades de cada elemento, gera-se confiança, otimismo, criatividade e inovação.

Gerir pessoas significa lidar com expectativas, motivações e ansiedades. A questão central é saber estimular e aproveitar ao máximo o potencial de cada um dos elementos, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal.

Segundo alguns especialistas nesta temática, existem fatores de sucesso a ter em conta nesta gestão de liderança:

v  Objetivos: Cada um precisa de compreender os objetivos do grupo, comprometendo-se e envolvendo-se com os seus próprios objetivos, por forma a sentir que cedeu a sua parte para o sucesso da dinâmica do grupo;
v  Crescimento Individual: a estabilidade e desenvolvimento pessoal de cada um afiguram-se como extremamente importantes;
v  Inovação: A dinâmica de um grupo é pautada de mudanças ao longo do seu desenvolvimento. Também a dinâmica familiar é marcada por diversas etapas ao longo do seu ciclo vital. Em ambas as realidades, é importante a flexibilização necessária e por vezes a reinvenção de métodos mais adequados para lidar com as diferentes necessidades e expectativas de cada elemento;


Há mais de cinquenta anos Herzberg e Maslow debruçavam-se sobre a importância dos fatores motivacionais dos colaboradores de empresas, das suas necessidades de estima e de realização pessoal. Muitas destas, continuam ainda agora presas apenas aos sistemas de recompensação remuneráveis, e, portanto, quantificáveis.

A Pirâmide das Necessidades de Maslow traça uma hierarquia simples das necessidades do ser humano e constitui um modelo teórico que ainda serve de referência em muitas empresas na adoção de estratégias de liderança.

Segundo este modelo, quando todas as necessidades mais básicas estão preenchidas, a satisfação das necessidades superiores permite criar um ambiente organizacional de motivação permanente, empenho e renovação do potencial das pessoas.

Novamente, percebemos que este modelo teórico se pode ajustar para a realidade das famílias, na medida em que, dificilmente uma criança poderá desenvolver-se dentro dos parâmetros considerados saudáveis se as suas necessidades mais básicas como a alimentação, segurança e amor firme não tiverem primeiro preenchidas. 

Em suma, não me restam grandes dúvidas que a lealdade e o empenho de cada um no seio de um grupo dependem muito mais de fatores motivacionais como a estima, o reconhecimento e a valorização. As pessoas necessitam de valorização e estímulo de forma a desenvolverem todas as suas capacidades e potencialidades. O mesmo se aplica nas famílias, seja no que respeita a cada um dos seus elementos, seja enquanto grupo, com particularidades e dinâmicas muito próprias.


Sofia Almeida

segunda-feira, 12 de maio de 2014

TELEVISÃO NO QUARTO DAS CRIANÇAS




As modalidades lúdicas para as crianças têm vindo a sofrer alterações e os quartos das crianças têm vindo a transformarem-se em grandes espaços de entretenimento e em alguns casos, autenticas estações eletrónicas, onde não faltam a televisão, o Leitor de DVD, a consola de jogos, o computador, a aparelhagem de som, o tablet e o telemóvel.

No início da idade escolar, as crianças começam a reclamar para si mesmas os brinquedos da modernidade dos adultos. Todos sabemos que a televisão é quase presença obrigatória nas nossas casas, sendo que, quase 100% dos lares nacionais estão equipados com pelo menos um aparelho de televisão.

Não restam dúvidas sobre as vantagens de acesso a programas educativos de grande qualidade, de informação disponível na internet ou de videojogos orientados com princípios pedagógicos. Sabemos que uma geração familiarizada com os novos media significa mais informação e entretimento. Contudo, nem sempre a informação é aconselhada a públicos mais impressionáveis como são os mais novos.

Têm-se multiplicado os estudos sobre o impacto/influência da televisão sobre os mais novos, nomeadamente, analisado a questão do acesso facilitado pelos mais novos aos conteúdos televisivos e das novas tecnologias e à dificuldade de monitorização pelos pais/educadores.

Ao longo do seu desenvolvimento, as crianças vão construindo a sua personalidade, aprendendo a lidar gradualmente com determinadas realidades, pelo que, devem ser protegidos de experiências para as quais não estejam ainda preparadas e todos estamos conscientes que a programação televisiva excede-se frequentemente nas cenas de violência, que poderão provocar medos e ansiedades futuras.

O acesso incondicional e sem monitorização parental que mais facilmente ocorre na privacidade dos quartos das crianças, pode expô-las a momentos de significativo impacto emocional, os quais, visionados em confraternização familiar, poderão no mínimo serem contextualizados ou mesmo censurados, como é o caso de algumas notícias de extrema violência divulgadas nos noticiários da noite, que com facilidade as crianças têm acesso a fim de satisfazerem as suas curiosidades.

O poder da publicidade também não deve ser negligenciado, mais ainda, quando exerce impacto emocional nas crianças, valorizando o consumismo desde cedo em detrimento de princípios morais fortalecidos.

Alguns estudos defendem que a televisão no quarto das crianças pode também prejudicar a sua saúde física, como fator agravante da obesidade infantil, não apenas pelo sedentarismo que é promovido, como pelas posições de visionamento adotadas logo após as refeições.

Sofia Almeida

sexta-feira, 9 de maio de 2014

SUPERPROTEÇÃO PARENTAL




Grandes mudanças têm ocorrido nas famílias nos últimos tempos, nomeadamente, o esvaziamento progressivo da função social da família; o seu isolamento; a desvalorização social da função paterna; o consenso social sobre direitos e deveres dos jovens e sobre as regras educativas; e o evitamento do conflito aberto entre pais e filhos.

Estas mudanças têm conduzido a dinâmicas familiares caracterizadas pelo esbatimento de fronteiras entre gerações e até à sua inversão, com consequências graves ao nível da definição das funções e papeis parentais e filiais.

Para esta mutação muito contribuíram políticas sociais que resultam na canalização para estas instituições a tutela e a autoridade sobre as crianças e adolescentes, esvaziando o significado da função parental, que, construindo relações mais distantes não ajudam à sedimentação de vínculos familiares sólidos e estruturantes, dando origem aos mitos da criança-reizinho; do jovem redentor; do bebé-creche; das crianças-infantários e de atitudes familiares de superproteção e superapreciação dos filhos.

É cada vez mais difícil para a família  manter o seu papel tradicional, vocacionada para um cuidadoso empenhamento na função paternal , consequentemente educativa, com um permanente auxílio e atenção aos filhos até à idade em que eles próprios também cumpram esta função.

A sociedade atual privilegia uma mentalidade de consumo e quando a vida está centrada no bem-estar material, procura-se mais o prazer imediato em detrimento do que podemos fazer por nós mesmos, e aquele que não consegue empreender algo fica com um vazio interior e torna-se vulnerável às solicitações mais diversas. Em contrapartida, uma criança que tem os seus próprios centros de interesse, os seus passatempos e os seus impulsos criadores próprios, sente uma satisfação interior promotora de maior independência.

A família deve crescer e desenvolver-se como se tratasse de um organismo vivo, procurando mudar à medida que os seus elementos também mudam. É importante não se fixar em padrões rígidos, mas sim, adaptar-se às necessidades e exigências inerentes ao desenvolvimento dos seus membros, respeitando a sua individualidade e consequentemente criando condições para o seu saudável crescimento.

Como refere Isabel Andrade “trata-se de dar à criança a segurança e a liberdade necessárias para que aprenda a situar-se na sociedade e a enfrentar as dificuldades; é importante que os pais não sejam demasiado rígidos nem demasiado indecisos.

Um amor cego que satisfaça todos os desejos da criança pode vir a favorecer mais tarde desvios comportamentais. A criança habitua-se a ter tudo e não suportará a frustração quando for confrontada com dificuldades. Porque foi incitada para uma mentalidade de consumo, quando não é satisfeita de imediato, logo procurará compensar-se. Na vida é preciso saber esperar. Face a um problema angustiante é preciso aprender a enfrentá-lo, deixar correr o tempo, ser paciente.

Segundo aquela autora “ amar um filho, protegendo-o e galanteando-o em excesso não é prova de amor. Quando se ama um filho, deseja-se que ele se desenvolva o melhor possível, para se defender bem na vida. É perigoso evitar à criança todas as dificuldades”.

As atitudes familiares de superproteção e superapreciação dos filhos gera um escudo de proteção à volta da criança, o que se por um lado evita os perigos ou riscos da realidade externa, também pode asfixiar ou criar um meio artificial onde a criança não aprende a lidar com situações complicadas, ficando sem resistência para enfrentar as agressões do mundo exterior.



Sofia  Almeida