quinta-feira, 4 de julho de 2013

DESCRIMINALIZAÇÃO DO CONSUMO DE DROGAS





Em Portugal, no dia 1de julho de 2001 entrou em vigor a Lei da Descriminalização do consumo de drogas (Lei 30/2000 de 29/11). Isto significa que o consumo de drogas, bem como a sua posse em quantidades reduzidas e ainda a aquisição para consumo próprio, deixaram de ser considerados crime, mas continuam a ser ilegais e punidos por Lei.

Esta medida inovadora tem sido um caso de estudo internacional, mesmo pelos estados com políticas tradicionalmente mais repressivas e resultou da Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga aprovada em 1999 como medida de política pública de combate ao uso de substâncias estupefacientes e promoção da saúde pública.

O espírito da Lei promove a visão que a toxicodependência é uma doença e como tal deve ser tratada e não punida com penas de prisão.

 A Descriminalização é operacionalizada pelas Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência, que estão sediadas em cada capital de distrito, com competência deliberativas de âmbito distrital.

Na prática sempre que alguém for abordado pela polícia ou sinalizado pelo tribunal pela posse, consumo ou aquisição de droga em quantidades previstas para consumo, será notificado para comparecer na CDT territorialmente competente.

Na CDT e após o acolhimento pelos Assistentes Técnicos, os Membros (um Presidente e dois Vogais) e Técnicos Superiores realizam a audição do indiciado (indivíduo), confirmando-se os factos da ocorrência e avaliando-se a sua situação psicossocial, para que o mesmo seja classificado quanto ao tipo de consumidor (recreativo/dependente). Dependendo desta avaliação, a CDT delibera em conformidade, podendo aplicar medidas de suspensão dos processos ou sanções.

As sanções são, por exemplo: coimas, apresentações periódicas, trabalho gratuito a favor da comunidade, admoestações, e várias proibições: ausentar-se do país; frequentar determinados locais; gerir determinados subsídios; acompanhar ou receber determinadas pessoas; exercer determinadas profissões.

No caso de um indivíduo ser avaliado como dependente, devem ser encetados todas as diligências no sentido do seu encaminhamento para estruturas de saúde, sociais, ou outras que se revelem significativas no seu tratamento com vista a uma reabilitação e reinserção social.

Também os consumidores de substâncias estupefacientes que se encontrem em sérios riscos de desenvolverem uma dependência são encaminhados para serviços de acompanhamento psicológico.

Assim, para além das deliberações no âmbito do processamento contraordenacional (vertente jurídica) a CDT procura trabalhar em rede com todas as instituições públicas e privadas dos respetivos distritos que direta ou indiretamente estejam implicadas na problemática das drogas e toxicodependências. Por um lado, as forças policiais e judiciais que identificam os consumidores e os encaminham para as CDT; e, por outro lado, serviços de saúde, sociais, e de reinserção profissional, para onde são encaminhados os utentes com necessidades sinalizadas.

A descriminalização das drogas, sendo acompanhada por outras políticas de saúde pública, estratégias de redução de riscos e de minimização de danos, prevê a queda do consumo de substâncias e aumento da saúde pública sobre os consumidores e a sociedade em geral.
Sofia Almeida

Ligações úteis:









sexta-feira, 17 de maio de 2013

TREINE A SUA FELICIDADE PELA FELICIDADE DOS SEUS FILHOS



"Pessoas com mentes treinadas poderão fazer nascer crianças mais propensas a serem felizes"
Há dias li uma entrevista a Matthieu Ricard sobre a felicidade e a meditação, cujos argumentos, valem a pena partilhar, pois, estou convencida, que podem ajudá-lo a melhorar algumas atitudes e comportamentos.
Matthieu Ricard, doutorou-se em genética molecular, mas trocou Paris pelos Himalaias há quase trinta anos, tendo-se tornado num monge budista. É autor de vários livros, nomeadamente “O Monge e o filósofo” (Edições ASA) e “O infinito na palma da mão” (Edições Notícias).
Este monge garante-nos que a felicidade é uma questão de treino. É uma habilidade, uma forma de ser, e pode ser cultivada. Basta querer. Explica-nos que se não somos particularmente felizes, temos de aprender a cultivar essa forma de ser, eliminando as toxinas mentais, como o ódio, a obsessão, o ciúme, a arrogância, o orgulho e desejo e cultivar gradualmente as qualidades positivas que integram a felicidade, como o altruísmo, o amor, a compaixão ou a criatividade. Aos poucos, alguns desses venenos mais grosseiros começam a esbater-se e o resultado é uma espécie de liberdade grande ou felicidade. Cada uma destas qualidades contribui para um sentimento de florescimento e bem-estar.
Segundo Matthieu Ricard, é, pois, importante estarmos conscientes das nossas emoções e possuirmos determinados métodos para lidarmos com elas. Por exemplo, no que respeita à ansiedade, primeiro devemos tomar consciência o quanto esta é inútil e depois, perceber que se deixar a ansiedade encher a minha mente vou ficar num estado miserável. Ao tornarmos a mente mais consciente desta ansiedade, esta vai perdendo a força, porque a deixamos de a alimentar. Não a bloqueámos, deixamos só que se desvanecesse. Quando ficamos familiarizados com este processo, as emoções continuam a aparecer, mas com menos força, e gradualmente levaremos menos tempo a dissolvê-la.
Segundo o Monge, o nosso controlo das circunstâncias exteriores é mínimo e no fim estamos sempre à mercê das nossas mentes, pelo que, quando temos condições interiores para o bem-estar, os ganhos, as perdas, prazer e dor, sucessos e falhanços perdem a relevância. Ou seja, será fantástico se as coisas correrem bem, mas não é um drama se correrem mal.
Conclui então que a felicidade existe independentemente do sofrimento ou dos prazeres passageiros. Quanto mais nos confrontamos com os altos e baixos da vida, mais a reforçamos, porque ficamos menos vulneráveis às circunstâncias exteriores.
É certo que tendemos a resistir à mudança, mas existe sempre um potencial para a mudança e um dos fatores determinantes para Matthieu é a inspiração. Há predisposições biológicas para a felicidade ou infelicidade, que, numa pequena percentagem podem ser genéticas. Mas, no essencial, devemos perceber que é sempre possível cultivar condições que nos ajudem a sermos melhores. Se temos uma razão para mudar, é mais fácil.
Pelo contrário, o maior perigo é desistir. A primeira coisa a fazer é reconhecer o potencial de mudar. Depois precisamos de algum interesse e este só aparece se virmos um benefício. Devemos, pois, cultivar a nossa vida de emoções positivas. Por exemplo, se a raiva é o meu principal problema, então devemos cultivar a benevolência, enchendo-nos com este sentimento. Talvez este se torne mais forte e neutralize a raiva, porque as duas emoções são incompatíveis.
"O que há a fazer é aumentar o tempo em que nos concentramos em emoções positivas, e isso é uma questão de treino"
Um filósofo suíço chamado Alexandre Jollien defende que a meditação tem efeitos sobre o sofrimento físico e também mental.  Defende também que a depressão é um campo onde a meditação pode ser poderosa. Reconhece que é difícil começar a meditar quando se está no pico da depressão porque não se tem vontade, mas nas pessoas que já tiveram pelo menos dois episódios, os progressos de meditação baseada na atenção plena reduziram em 40% o risco de recaída.
Alerta-nos ainda para o facto de que inicialmente a meditação pode não ser divertida, mas reitera que se deixamos de meditar, os efeitos perduram igualmente porque mudamos a nossa maneira de ser. Devemo-nos consciencializar que a determinação em fazer algo para acabar com o sofrimento faz parte da nossa felicidade. Para a felicidade é muito pior fazer mal aos outros do que nos fazerem mal a nós. Não quer dizer que temos que ser passivos se nos agredirem, mas se não pudermos evitar, só temos que lidar com isso. No fundo a felicidade é usar todas as circunstâncias de forma construtiva.
Ser infeliz é uma escolha a longo prazo. Se algo acontece e não estamos treinados para lidar com isso, não temos escolha se não ficarmos angustiados. Podemos a longo prazo, aprender a lidar com isso. A escolha que temos é começar um processo de mudança, uma cultura de meditação pode criar gerações mais felizes na medida em que a cultura e educação têm uma influência determinante na forma como o cérebro das crianças se começa a moldar.
Um estudo de Michael T. Kasser mediu os níveis de consumismo de centenas de pessoas por 20 anos e concluiu que quanto mais alto é, menos felizes somos. O consumismo gera a procura dos prazeres imediatos, o que não nos traz felicidade e na nossa sociedade atual até as crianças são inundadas de anúncios proporcionando-lhes um começo tortuoso para a conquista da sua felicidade.

Sofia ALMEIDA 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

FILHOS ÚNICOS


Famílias com apenas um filho tem vindo a aumentar nas últimas décadas

A generalização das práticas do planeamento familiar, os custos de criação/educação dos filhos, vidas profissionais mais exigentes, e menor disponibilidade de tempo, são as razões mais frequentemente apontadas para este facto.

Esta tendência tem vindo a ser acompanhada por alterações sociais, pois os bebés ingressam desde cedo nos infantários, onde adquirem as suas competências relacionais de interação, partilha e negociação.

O convívio entre crianças durante a infância é crucial

Enquanto que numa fratria de irmãos, este convívio é espontâneo, no caso dos filhos únicos, este convívio entre crianças deve ser proporcionado por forma a que treinem as suas capacidades de relacionamento nas brincadeiras.

Desde que os pais estejam atentos na sua educação, promovendo momentos de interação com outras crianças em atividades recreativas, ser filho único não é uma fatalidade. A crença de que os filhos únicos são egoístas, mimados e com dificuldades de relacionamento está ultrapassada.

Contudo, se verificarmos exageros na proteção parental, ausência de regras e limites e falta de convívio com outras crianças, podem potenciar no filho único, sentimentos de egocentrismo. Os perigos de ser filho único no desenvolvimento da criança podem ocorrer quando a atenção dos pais focaliza-se apenas na criança e facilmente esta percebe o seu poder dentro do núcleo familiar. Quando isto acontece, as crianças apercebem-se da importância que assumem na vida dos pais, e tendem a quebrar as regras, ultrapassando os limites e assumindo atitudes manipuladoras.

Se os pais resistirem à tentação de dizer não em determinados momentos, os filhos poderão inclusivamente desenvolver uma fraca tolerância para enfrentarem frustrações ao longo das suas vidas. Se o filho está habituado em casa a ditar as regras, naturalmente vai procurar transpor o mesmo modelo relacional com os amigos da sua idade. Poderá faltar-lhe o treino do respeito, negociação e partilha que decorre com toda a naturalidade no relacionamento entre irmãos.

Pais atentos encontram estratégias na educação de filhos únicos

Pais atentos ao crescimento saudável do seu filho devem exercer as suas autoridades na educação e resistir à tentação de satisfazer todos os seus caprichos. O exagero na proteção limita a aprendizagem e desenvolvimento natural dos filhos e promove relações de dependência entre pais e filhos e sentimentos de insegurança dentro do núcleo familiar.

É, assim, importante promovermos espaços de interação das nossas crianças que proporcionem atividades recreativas de convívio e socialização, como o desporto, os escuteiros, as colónias de férias, ou outras atividades recreativas.

Sofia Almeida


sábado, 4 de maio de 2013

ATIVIDADES AO AR LIVRE


 
Inquestionavelmente, a família desempenha um papel fundamental nas nossas vidas. Mas, devido a vidas agitadas, as famílias passam cada vez menos tempo juntas, por isso, praticar desporto, férias e outras atividades em família, contribui para o bem-estar físico e emocional de todos.
  

…O desporto é uma excelente forma de ocupar os tempos livres e promove o convívio familiar…

A nossa mente organiza-se regularmente de forma a usufruirmos de pequenos momentos de prazer, seja através do desporto ou de outras atividades que nos deem determinados gostos pessoais.
As práticas desportivas além de contribuírem para a significativa diminuição de peso, estimulam a capacidade de concentração e o bom humor através da descarga de adrenalina e a libertação de serotonina, entre outras hormonas e neurotransmissores responsáveis pelo controlo do humor e sensação de prazer. Daí que, o desporto, praticado regularmente e com moderação, é uma fonte de divertimento individual ou em grupo potenciando uma maior harmonia e serenidade, com benefícios generalizados para o corpo e mente.


…Se aliamos a utilidade do desporto com a agradabilidade do convívio familiar, o prazer obtido será redobrado…

 As férias são uma boa oportunidade para disfrutar da vida e divertirmo-nos. Mas é importante planearmos as férias, para que sejam bem gozadas e descontraídas. A começar pelo período em que se escolhe para férias. Não adianta ir de férias a pensar no trabalho. É importante irmos descansados, delegando as nossas tarefas e responsabilidades no trabalho e em casa.
Depois desligue. Para uma vida saudável e equilibrada é essencial saber desligar-se das rotinas para ter um período agradável e descontraído. As férias servem para repor as energias, tirar partido delas e regressar com espírito renovado. O descanso é necessário para que volte a ser criativo na vida pessoal e no trabalho. Vai ver que quando regressar levará energias recarregadas para enfrentar mais positivamente as contrariedades resultantes das rotinas quotidianas dos períodos de trabalho/aulas.

Uma vida mais saudável, traz mais benefícios sociais e emocionais e todos sabemos que devemos tentar aliar o bem-estar psíquico ao físico. Por isso, saia à rua, conviva e aproveite as férias para fazer coisas novas. Seja criativo e aposte em atividades ao ar livre, que nunca ousou fazer anteriormente.
E não esqueça, não planeie regressar ao trabalho no dia imediatamente seguinte ao regresso das férias. Precisará de alguns dias de descanso.



…Liberte-se da rigidez das regras a que está habituado e volte a ser criança…
Não se limite a ver as brincadeiras dos seus filhos e faça o mesmo. Brincar com os mais novos ao ar livre pode ser das atividades mais enriquecedoras, quer do ponto de vista emocional, quer físico e permite estreitar os laços familiares.
Aprenda a criar dias relaxados, sem horários e sem compromissos. Depois, descontraia-se e mostre a criança que ainda há em si, não esquecendo nunca de dar e receber amor.

  


…Raios de sol para recarregar baterias…

 Todos sabemos que o sol é absolutamente essencial na nossa vida. Fornece-nos luz natural, calor e energia.
Em alguns minutos por dia, o sol estimula no nosso organismo a produção de serotonina, dopamina e melatonina, responsáveis pelo bom humor, energia e regulação do sono.

Ajuda o nosso organismo a produzir vitamina D, essencial aos nossos ossos, dentes, mas também a um bom funcionamento cerebral, reduzindo o risco de demência e derrame cerebral e prevenindo o cancro, segundo estudos mais recentes.

Não obstante, o prazer de disfrutar do sol deve ser com peso e medida: no inverno o sol é mais escasso e menos perigoso; no verão, evite a exposição ao sol entre as 12H00 e 16H00, usando sempre um bom protetor solar, mesmo antes de sair de casa.

Sofia Almeida

sábado, 27 de abril de 2013

REFEIÇÕES = CONVÍVIO FAMILIAR


 


 
“As refeições são uma boa oportunidade para fortalecer os laços familiares”

Devemos estar conscientes que o crescimento saudável dos nossos filhos é o resultado do estilo de vida que adotamos que deverá promover boas práticas e hábitos saudáveis a todos os seus elementos da família, que mais tarde tenderão a tornar-se espontâneos e naturais, servindo de base aos seus comportamentos futuros.

Nos dias que correm, muitas famílias, não querendo comprometer o tempo dedicado às outras atividades, apenas têm as refeições como momento único de convívio familiar.

As responsabilidades profissionais têm grande parte desta responsabilidade. As exigências, os conflitos, ou simplesmente o excesso de trabalho, provocam-nos um grande desgaste físico e psicológico, deixando-nos mais propensos a desenvolvermos determinadas doenças. Devemos estar atentos para identificarmos e modificarmos determinadas atitudes tanto no trabalho, como na vida familiar. É crucial que adotemos atitudes positivas perante a vida, pois a nossa saúde depende diretamente da nossa felicidade.

Ao tentarmos equilibrar as atividades profissionais com as atividades familiares, estamos claramente a fomentar a nossa qualidade de vida e a promover a redução de doenças do foro físico e psicológico.

Assim como nos comprometemos com o trabalho, devemos comprometer-nos igualmente com a vida familiar e, estabelecer horários é absolutamente fundamental para uma boa organização pessoal, profissional e familiar, com garantidos ganhos de tempo, em termos de quantidade, mas, também, de qualidade.

Momentos de prazer em família que farão toda a diferença numa vida familiar saudável. Procuramos fazer uma refeição tranquila e agradável, carregando as baterias para as atividades do dia seguinte.

A refeição contém rituais e tradições alimentares características de cada família. Mas, no geral, deve ser lenta o suficiente para criar espaço à conversa e à interação à volta da mesa, quando não se teve tempo ao longo do dia. Ajuda a relaxar, a libertar do stress acumulado ao longo do dia e reforça a coesão familiar e autoestima de cada um.

É certo que nem sempre é possível evitar discussões e conflitos, mas é importante compensarmos este desgaste como momentos de carinho e partilha junto daqueles de quem mais gostamos.

Dicas para refeições em família:

  • Faça as refeições a horas certas para que todos se organizem nas suas atividades individuais em função deste momento;
  • Planeie as refeições atempadamente e com alimentos saudáveis, tendo em conta os gostos de cada um, alternadamente;
  • Envolva a família na preparação das refeições;
  • Faça a refeição sentado à mesa e com uma postura correta;
  • Crie um ambiente harmonioso;
  • Guardar assuntos aborrecidos para outros momentos do dia.
  • Ouça música relaxante durante a refeição;
  • Desligue a TV, PC, TLM e outros gadgets;
  • Determine um dia por semana para uma refeição mais elaborada, tranquila e do agrado de todos, seguida de uma atividade conjunta (de preferência ao ar livre).

Sofia Almeida


segunda-feira, 11 de março de 2013

FRATRIA





“Cada filho é um indivíduo único, que deve ser respeitado nas suas características e necessidades, independentemente do lugar que ocupa na fratria da família.”

É na família que descobrimos a nossa identidade individual e familiar. Cada família tem um padrão de funcionamento, com uma dinâmica muito própria, com regras de comportamento próprias que definem as interações dinâmicas entre os seus elementos e entre estes e o exterior. Na família, aprendemos a descobrir quem somos, o que queremos e a conquistar o nosso lugar.

 Muitas das nossas capacidades de relacionamento são treinadas no seio familiar, durante a infância e adolescência, com os nossos irmãos. As relações entre irmãos ajudam-nos a crescer e a treinar as nossas aptidões pessoais para lidar com situações futuras recorrentes que despoletam em nós sentimentos de ciúme, inveja, competitividade, raiva ou tristeza, mas também sentimentos de solidariedade, partilha e cumplicidade.

Os laços de fraternidade são normalmente muito mais fortes do que os laços de amizade, pelo que, com frequência, verifica-se mais depressa o perdão e reconciliação após uma zanga entre irmãos do que entre amigos. O irmão é visto como aquele com quem se tem um laço de consanguinidade (irmãos germanos: filhos do mesmo pai e mãe; irmãos uterinos: filhos da mesma mãe; irmãos sanguíneos: filhos dos mesmo pai), com quem se estabelecem laços fortes de afetividade e se partilham as histórias de vida, na base da confiança, intimidade e proteção.

A ideia do tratamento igualitário e portanto, que os irmãos devem ser tratados de forma idêntica, bem como as estratégias educativas diferenciadas são ideias relativamente recentes, legitimadas quer legalmente, socialmente e familiarmente.

Contudo, o tratamento igualitário nem sempre é uma realidade. Ao nível das representações, a ordem do nascimento (primazia do filho mais velho) e o sexo (primazia do homem) ainda definem os direitos e deveres dentro de muitas fratrias.

A nossa herança judaico-cristã, leva-nos à ideia de que o filho mais velho tende a ocupar um lugar de responsabilidade acrescida, sendo-lhes frequentemente exigido um comportamento exemplar em relação aos irmãos mais novos. Noutro oposto distinto, estão os irmãos mais novos, que muitas vezes são tratados com uma displicência especial, desresponsabilizando-os frequentemente por comportamentos menos adequados e tratando-os como os bebés da família. Na verdade, se por um lado os irmãos mais velhos desbravam caminho na dinâmica familiar, os mais novos também se podem tornar o alvo de ciúmes pelos irmãos mais velhos. Já os filhos do meio poderão tender a desenvolver maior sabedoria e equilíbrio nas suas relações de fratria, dadas as circunstâncias.

Temos vindo a assistir a uma cada vez maior indiferenciação de género ou igualização no tratamento dos filhos, mas em domínios de estratégias de tratamento indiferenciado: expectativas de vida, distribuição de tarefas domésticas, vivência dos afetos, as raparigas são muitas vezes colocadas numa posição lesada face aos irmãos.

Normalmente existe uma diferenciação clara entre as fratrias mistas, masculinas e femininas em termos de representações sociais. Nas fratrias masculinas e fratrias femininas salienta-se o sentimento de companheirismo, partilha de gostos, interesses e atividades. Já nas fratrias mistas introduz-se a representação social dada à proteção dada às irmãs independentemente da sua idade e do lugar que ocupam nas fratrias, e por outro lado a provável diferenciação de género nas estratégias educativas dos pais em função dos sexos. Frequentemente se verifica que a perceção de que as fratrias do mesmo sexo tendem a desenvolver sentimentos de maior proximidade, partilha e solidariedade do que as fratrias mistas.

Não obstante, por muito que estejamos conscientes do tratamento igualitário, não podemos esquecer que existem vários fatores não controláveis pelos pais que acabarão sempre por interferir nos diferenciados percursos de vida dos filhos e nas formas diferenciadas de tratamento que os pais necessariamente darão aos filhos, como é o caso do período de nascimento de cada filho que ocorre em diferentes contextos de vida, quer materiais, quer emocionais.

Vale a velha máxima: “Todos diferentes, todos iguais”.

Numa família saudável, cada filho ocupa o seu lugar na fratria; ou seja, todos têm particularidades, necessidades, capacidades específicas, o que o torna único como indivíduo e como agente de relações interpessoais.

Numa família saudável ,recorre-se sistematicamente ao diálogo, à atenção constante e amor firme e utiliza-se o exemplo como forma de ensino/aprendizagem entre pais e filhos.

É imprescindível ouvir os filhos, aceitar as suas diferenças e ir ao seu encontro de cada vez que sentimos que um filho procura isolar-se.

Sofia Almeida

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

EDUCADORES INFORMADOS E CRIATIVOS



“Educadores informados e criativos estão melhor preparados

 para pensarem em formas saudáveis de educar.”

Nas últimas décadas, as práticas parentais têm sido alvo de atenção de teóricos e investigadores, atendendo à sua inquestionável importância no desenvolvimento físico e psicológico das crianças e jovens.

Pensamos que, de certa forma, nunca como hoje foi tão difícil educar os filhos. O estilo de vida atual, em que muitas vezes falta o tempo para dialogar e conviver em família, a angústia associada às práticas educativas desadequadas de anteriores gerações, bem como as mais recentes mudanças estruturais nas famílias, levam os pais a sentirem falta de confiança sobre as suas próprias práticas parentais, questionando-se frequentemente se devem adotar um modelo de educador mais autoritário ou mais permissivo, nas tomadas de decisão na vida dos filhos.

É importante que os pais fiquem mais conscientes do poder das suas práticas educativas e do seu caráter preventivo na vida dos filhos, ensinando-lhes a desenvolverem comportamentos e valores que promovam o seu equilíbrio emocional e a integração social, evitando comportamentos desajustados e/ou desviantes, como sejam a agressividade, insucesso escolar ou baixa-auto-estima.

 A incerteza e a culpa que muitas vezes assolam os pais, levam-nos, por vezes, a procurar informação sobre o tema e partilhar (com maior ou menor abertura), as suas próprias experiências, dúvidas e sucessos como educadores.

Não há um modelo único de família. Temos vindo a verificar nas últimas décadas transformações estruturais familiares ao nível das formas, tipologias, dinâmicas, relações e papéis. Não obstante, as variadíssimas definições do conceito de família, resulta do comum senso que a família é a estrutura onde se inicia o processo de socialização, de aprendizagem cognitiva e emocional e de realização afetiva das crianças. As Famílias são o motor para o desenvolvimento harmonioso dos seus elementos mais novos.

Pensamos que nas atuais sociedades ocidentais, a Educação Parental é um recurso por vezes subaproveitado, pelo que, apostamos no reforço e qualificação das competências parentais. Todos sabemos que as famílias têm diferentes necessidades e potencialidades. E é importante ajudar as famílias a tomarem consciência das suas dificuldades, mas aprenderem a servirem-se das suas potencialidades para procederem a mudanças positivas e duradouras, que se reflitam em novas formas de comunicação com os filhos, de expressão das emoções e de resolução de conflitos.

A comunicação, o controlo, a proximidade, calor afetivo e maturidade das exigências dos filhos, são domínios de estudo de Educação Parental a desenvolver futuramente, mas no essencial, acreditamos que os pais devem seguir os seus instintos, adotando práticas saudáveis assentes numa maior confiança em si mesmos, como pais, aumentando a satisfação com a parentalidade e, sobretudo, criando filhos mais felizes.



A não esquecer:

  •  Dê-lhes muito afeto e carinho. Pais que amam os filhos e cuidam deles, ajudam a formar adultos, que se tornarão pilares da comunidade;

  •  Mantenha proximidade e sensibilidade às necessidades dos filhos;

  • Mantenha uma disponibilidade permanente para os ouvir, dar-lhes a sua opinião e estimular as suas capacidades de reflexão e de crítica construtiva;

  • Evite posturas extremas de autoritarismo ou permissividade;

  • Estabeleça normas familiares, responsáveis e claras;

  • Ajude a desproblematizar as dificuldades do dia-a-dia e ajude-os a tomar decisões, ponderando as vantagens e inconvenientes de cada opção;

  • Ajude-os a terem confiança em si próprios e a perceberem que muitas das suas inseguranças não têm fundamento e até são naturais;

  • Acompanhe as atividades dos filhos, conheça os seus amigos e respeite as suas escolhas.


 

Sofia Almeida